segunda-feira, 30 de agosto de 2010

não te olho, mas sinto-te

"pedes-me um tempo para balanço de vida,
 mas eu sou de letras, não me sei dividir".


Tens razão.
Um tempo para balanço é o que te pedi, mesmo to dizer.
Um tempo indeterminado e algo longo, um tempo que não me podes dar. Tudo isto porque não podes apenas existir, em função de alguém, tens também que viver. Viver a tua vida, com alguém que gostes e que te ame, sem pedir tempo para balanços.
Mas é também verdade que muitas são as vezes em que me apetece desistir de tudo o que construí até agora, sem ti, e voltar para trás. Voltar para ti. Mandar tudo à merda, pedir desculpas e voltar para ti. Para ti..
No outro dia passei por ti. Não foi como da outra vez, pois desta estava sóbrio.
Desta vez tu viste-me e eu vi-te, e não soube como reagir. Aliás, acho que soube. Passei por ti e olhei em frente, para o chão. Lutei comigo mesmo para olhar em frente e não cair no feitiço dos teus olhos verdes. Aí sim, ia-me custar.
Também fizeste o mesmo que eu, olhaste em frente, para o chão.
Olhar para o chão é bom.
Olhar para o chão não nos diz o que a outra pessoa pensa, sente, transmite. Olhar para o chão permite-nos imaginar isso mesmo, o que se está a passar com a pessoa com a qual nos cruzamos.
Eu olhei para o chão e sei que fizeste o mesmo.
Olhei para o chão e sei que sentiste tristeza, sei que reviveste muitos dos momentos que passámos e sei também que relembraste o que fomos. Mas, mais que tudo, sei que te lembraste que estamos com vidas diferentes, separadas e sem a possibilidade de trocar qualquer tipo de palavra, toque ou emoção.
Foi isso que senti de ti quando passei e olhei para o chão, mas até que ponto é real?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

e apareces..

Torna-se incrível como apareces e me tomas por completo, fazendo-me ser teu e só teu.
Quando menos espero tu apareces, linda e desprotegida, como se me pedisses para te agarrar de novo e te proteger.
Apareces e não consigo perceber se o fazes para me estragar o dia ou se pelo contrário, o fazes para me alegrares.
A verdade é que mesmo quando não te tenho no pensamento por algum tempo tu pressentes que estou longe de ti e apareces.
Num sonho.
Um sonho onde sinto e "vivo" cada pormenor deseperadamente, porque sei que pode ser a última vez que te vejo num tempo indefinido. Um tempo que insiste em passar, mas que não me ajuda a seguir um caminho.


Depois há aqueles momentos de tédio, em que decido ir para outros espaços e lá estás tu.
Hoje sim, quis-te procurar, desejei encontrar-te. Mas não fiz nada para que isso acontecesse.
Inesperadamente entro e vejo aquele jeito, aquele cabelo para o lado e logo soube que eras tu.. como esquecer, não é?
Não mais a noite foi a mesma, não mais os meus pensamentos pairaram por outro lado que não tu.
Só tu.
Tu, tu e mais tu.
Mas não te olhava. Sei que não te podia olhar todo o tempo, o tempo que eu te queria olhar.
De vez em quando desviava o olhar na tua direcção e vi.
Vi aquilo que um dia tive, mas que me fugiu.
Vi o pedaço que tens de mim. Vi-o ali, bem à minha frente. E vi o porquê de ainda o teres. Vi-o e não o consegui trazer de volta a mim. De volta ao lugar onde pertence.
Tenho pena que tenhas de te dar com as pessoas que estavas rodeada, mas nada posso fazer. Espero que não mudem aquilo que és, aquilo que sempre foste e espero, sinceramente, que continues com a destreza e inteligência que te fazem distinguir o bom do mau, o que podes ou não fazer.

Hoje vim mais cedo para casa por tua causa.
Hoje apeteceu-me agarrar-te na mão, tirar-te daquele lugar e ir contigo para algum lugar, passear.
Podíamos ou não falar, podíamos passear apenas, mas precisava de sentir a tua presença perto de mim.

Não sei quando poderemos voltar a falar, normalmente, sem qualquer "rancor" ou o que quer que seja, mas gostava de saber como estás. Além da aparência, porque apesar de tudo ainda te conheço bem.

domingo, 1 de agosto de 2010

Over you, is were I stand

Faz hoje uma semana que te vi.
Não estava à espera de te encontrar, mas a verdade é que gostei, apesar de ter sido estranho, muito estranho.
Cheguei ao bar e foi sem querer que te vi, de costas. Fiquei sem saber o que fazer. Se te devia evitar antes que me visses, se devia falar mais alto para saberes que estava ali. Não soube, e assim fiquei. Quando dei conta estava de saída, com vontade de ficar.
Fui para outro sítio, mas não mais a minha cabeça se desligou daquele lugar, de ti.
Quando finalmente a cabeça já não tinha mais controlo, estava embebida em álcool e pensamentos também eles embriagados, eis que surge de novo a mesma tortura - ali estavas tu.
Sinto que não te conheço mais. Sei que aquela não és tu, com aquelas pessoas, aqueles merdas que não merecem sequer respirar a teu lado, não merecem inalar o teu ar puro, e em troca darem-te o deles, cheio de podridão.
Venho cá fora, e entre uma conversa olho para onde estavas sentada sem eu saber e olho-te nos olhos. E tu olhas-me de volta. Por momentos a conversa parou, o barulho da música parou, tudo parou. Tudo, menos os nossos olhos, que se apressaram a olhar para outro lado, sem vontade de sofrer mais. Sem vontade de relembrar memórias boas, mas sofridas.
O tempo passa e eu fujo das pessoas. Vou flanar, por entre a multidão. Passo por imensa gente mas sinto-me sozinho, como assim o escolhi.
Entre empurrões e a minha solidão opcional lá vens tu.
Vens em direcção a mim, pois não havia mais espaço para onde ires.
Vens e eu vislumbro-te, e uma confusão instala-se de novo na minha cabeça - como reagir?
Mas tu desfazes todas as dúvidas e baixas a cabeça, empurrando-me com a mão direita e deitando um olhar vazio para o chão.
E tu passas.
E eu fico na merda.
E assim permaneço, com a certeza que ainda tens o meu coração e insistes em não largá-lo, em não mo devolver.


A mão que eu desejei tocar, o olhar que desejei ter.


"over you, is were I stand.
 I wish I knew why, but I don't understand"