Faz hoje uma semana que te vi.
Não estava à espera de te encontrar, mas a verdade é que gostei, apesar de ter sido estranho, muito estranho.
Cheguei ao bar e foi sem querer que te vi, de costas. Fiquei sem saber o que fazer. Se te devia evitar antes que me visses, se devia falar mais alto para saberes que estava ali. Não soube, e assim fiquei. Quando dei conta estava de saída, com vontade de ficar.
Fui para outro sítio, mas não mais a minha cabeça se desligou daquele lugar, de ti.
Quando finalmente a cabeça já não tinha mais controlo, estava embebida em álcool e pensamentos também eles embriagados, eis que surge de novo a mesma tortura - ali estavas tu.
Sinto que não te conheço mais. Sei que aquela não és tu, com aquelas pessoas, aqueles merdas que não merecem sequer respirar a teu lado, não merecem inalar o teu ar puro, e em troca darem-te o deles, cheio de podridão.
Venho cá fora, e entre uma conversa olho para onde estavas sentada sem eu saber e olho-te nos olhos. E tu olhas-me de volta. Por momentos a conversa parou, o barulho da música parou, tudo parou. Tudo, menos os nossos olhos, que se apressaram a olhar para outro lado, sem vontade de sofrer mais. Sem vontade de relembrar memórias boas, mas sofridas.
O tempo passa e eu fujo das pessoas. Vou flanar, por entre a multidão. Passo por imensa gente mas sinto-me sozinho, como assim o escolhi.
Entre empurrões e a minha solidão opcional lá vens tu.
Vens em direcção a mim, pois não havia mais espaço para onde ires.
Vens e eu vislumbro-te, e uma confusão instala-se de novo na minha cabeça - como reagir?
Mas tu desfazes todas as dúvidas e baixas a cabeça, empurrando-me com a mão direita e deitando um olhar vazio para o chão.
E tu passas.
E eu fico na merda.
E assim permaneço, com a certeza que ainda tens o meu coração e insistes em não largá-lo, em não mo devolver.
A mão que eu desejei tocar, o olhar que desejei ter.
"over you, is were I stand.
I wish I knew why, but I don't understand"
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