Hoje sonhei contigo.
Mais uma vez entraste sem pedir e invadiste-me, desde o primeiro ao último momento em que aqui estiveste, continuando essa mágoa de te não ter realmente todo o dia, até esta hora.
Até esta hora em que escrevo, desabafo e passo para este livro aquilo que sinto e fecho as suas páginas, para que elas não se voltem a abrir em momentos inesperados.
Hoje sonhei contigo e senti ciúme. Ciúme de não te ter a meu lado e, de estares com outro alguém que não eu.
Preciso mesmo de te ver. De te ver realmente. de te tocar. de te sentir. de te olhar. de me olhares. de saber como estás. de saber da tua vida. se tens alguém. de te falar desse alguém que eu tenho.
Preciso de saber tudo isso, mas não de te dizer que ainda te continuo a amar, tanto ou mais como da primeira vez.
Não te quero dizer que estou diferente, que me tiraste tudo o que tinha de bom, que mesmo que te tivesses a meu lado te ia magoar.
Tu mudaste-me.
Fizeste-me ser alguém que não era. Eu gosto deste meu eu, mas não era o eu que tu amavas. Não era o eu que te fazia sorrir a todos os momentos, não era o eu que vivia para ti e de ti, o eu que apenas te queria a ti.
Por não ser mais esse eu é que concordei em deixar-te ir. Ir para não mais voltares. Não tão cedo.
Sei que estás dentro de mim e que vais estar por muito tempo. Sei que estou dentro de ti, mas não sei mais.
Muitas são as vezes em que dou por mim a tentar saber de ti.
As mesmas são as vezes que sei que não o devo fazer.
Dizem que para esquecer alguém se deve arranjar outro alguém, mas não está a resultar.
Já não sei o que é amar verdadeiramente. Acho que já nem sei sequer o que é gostar.
Culpo-te, a ti, por me teres tirado isso. Tiraste-me até a vontade de chorar.
É verdade. Já não choro. Sinto-me triste, muito triste, mas não choro.
Algo se mexe nos meus olhos, mas não são lágrimas. E é por pouco tempo. Rapidamente me recomponho e é como se a temperatura do meu corpo descesse mais um grau e ele ficasse mais frio, mais insensível.
Não do meu corpo exterior, mas sim da parte de dentro, daquela que em tempos me orgulhei mas que deixei fugir..
E foi assim que me deixaste, diferente, mudado e pior: com saudades tuas.
Porque como diz Alexandre O'neil "não se pode morar nos olhos de um gato" (seja lá o que isso for)
Muito menos se esses olhos forem verdes
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Não fosse mais pelo título do texto, valeu ter vindo aqui.
ResponderEliminarvai voltando.
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