quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Castelos na areia

As primeiras palavras trocadas em 9 meses. Hoje, dia 23 de Dezembro. Após 9 meses (irónico). Após 9 longos e insuportáveis meses "ouvi" a tua voz vinda num e-mail.
Tentei mandar-te mensagem, porque inexplicavelmente ainda tinha o teu número na minha cabeça, apesar de já não o ter no telemóvel. Ou talvez não seja tão inexplicavelmente, pois longo foi o tempo que vivemos no mesmo mundo, enquanto durou o pacto feito por nós.
A verdade é que esse pacto nunca deixou de existir.
A verdade é que continua a ser contigo que eu quero estar, ficar, ser, viver.
A verdade é que não to posso dizer, não quero mais intrometer-me na tua vida de forma egoísta.

A tua seriedade nos e-mails que mandaste.
A falsidade de um e-mail, que te leva para tão longe de mim. Que não me deixa olhar-te nos olhos, cheirar-te, quem sabe tocar-te tão acidentalmente quanto te possa parecer.
As tuas palavras que me fazem perceber que me esqueceste, que seguiste em frente, sem mim.
Sei que tens outro alguém. O que quero é que sejas feliz ao lado desse alguém.
O que quero é deixar de te ver nas pequenas coisas do dia-a-dia. Num simples gesto de um desconhecido, na maneira desalinhada de andar de alguém, no cabelo de uma outra rapariga que não tu, na expressão de felicidade que tantas e tantas vezes me fez sorrir mas que não te pertence.
Não sei se este "aproximar" é bom ou mau para mim, mas uma vez que nunca chegaste a sair da minha cabeça, penso que é bom. Assim tenho-te a meu lado, mesmo sem tu dares por isso.
Porque eu não quero construir o meu pequeno castelo noutras areias. Quero sim construir o nosso grande castelo na mesma praia.