segunda-feira, 4 de abril de 2011

meu anjo desprotegido

dois dias depois regresso àquela que foi a nossa cama por umas horas, onde partilhámos tanta coisa simples, tanta coisa boa.
nada de carnal, não.
partilhámos muito mais que aquilo que estava à vista dos olhos. Abrimos sim os olhos do coração, já fechados há muito tempo. Esses olhos apenas são abertos em mim quando estou contigo de verdade.
Deitas-te, encostas-te a mim e eu finjo que tudo está normal, que é um acto natural que não deve ser encarado com especial importância.
Minto.
sempre que me tocas estremeço por dentro, vestindo a máscara que não quero que vejas por fora.
vais mais longe, também tu fingido que é algo natural, e deitas-te no meu colo.
acaricio o teu cabelo, o teu pescoço, as tuas orelhas. Até que tu adormeces.
E eu ali, contigo, um anjo desprotegido à minha frente, com a tua mão desalinhada deitada na cama e eu sem poder fazer muito mais sinto-te. sinto-te o mais que posso e tento arrecadar em mim todas essas sensações e sentimentos que me despertas.
Por isso escrevo aqui, para perpetuar esses momentos que me podem fugir da cabeça, já cansada.
O teu cheiro invade-me, preenche-me e enche-me de saudade.
ao passar a mão pelo teu cabelo passo-a de seguida pelo meu nariz, para poder sentir o teu odor e pedir que ele não se desvaneça.
Hoje, dois dias depois dessa noite, deito-me naquela que foi a nossa cama e sinto o teu odor, que parece ficar intocável apesar dos dias que passam.
deito a cabeça na almofada, inspiro o mais que posso na ânsia de te ter aqui, e não só o teu cheiro, até que adormeço.
adormeço contigo em mim, não fisicamente, mas algo mais que isso.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

cicatrizes.

é a terceira vez que estou contigo depois de quase um ano de ausência mútua.
a cada vez que me vou encontrar contigo não sei bem como reagir quando te vejo, até que tu me vês e fazes sinal. aí sim, parece que volto a mim, visto a minha própria pele e sou eu.
hoje deixámos a nossa pedra, e fomos mais longe, seguimos o sol.
Seguimos o sol e fomos encontra-lo numa clareira, no meio das árvores, como que se de um poço de luz se tratasse. Um poço de luz rodeado de escuridão, medo e más memórias.
o tempo passa e perdem-se "medos" de conversas não tão adequadas, o gelo de um ano de ausência vai-se quebrando e vão-se trocando vidas e memórias.
memórias que algumas delas não estão tão presentes como tu disseste que deviam estar.
vem à conversa o local onde tens uma cicatriz e eu, escondido por trás de um ano de ausência digo-te que não sei e noto a tristeza na tua cara. Tristeza por não me lembrar de certos pormenores de quando éramos apenas um.
mas queres que te diga onde realmente tens a cicatriz?
tens a cicatriz maior exactamente no mesmo sítio onde eu tenho a minha. aquela que, mais do que para o resto da vida, me vai acompanhar e relembrar que tu exististe um dia para o resto da morte.
estranho? não. Pois os bons momentos que passo e que por algum motivo me "esqueço" de ti, a cicatriz insiste em fazer sinal a relembrar-me que tu um dia exististe, que ainda existes.
E isso meu anjo é pior que morte.

Perguntaste-me quando foi a última vez que ri muito? Foi exactamente hoje, quando estava contigo.
Perguntaste-me quando foi a última vez que chorei? Pois bem, também foi hoje quando foste embora e eu não estava contigo novamente.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Olá pequenina..

Hoje dormiste comigo toda a noite. Melhor dizendo, hoje eu dormi contigo a noite toda.
Sonhei contigo toda a noite, em vários sítios e em situações diferentes.
Talvez por isso me levantei tão tarde, pois a cada vez que acordava voltava a adormecer na esperança que viesses deitar-te a meu lado novamente.
Mas nem tudo foi bom nesses sonhos.
Senti saudade, felicidade ao ver-te, ao falar contigo, é verdade. Mas é também verdade que senti ciúme e tristeza, pois em muitos dos sonhos estavas acompanhada por aquele que podia ser eu.
Acordei num misto de alegria, sono e tristeza, mas com a certeza que é bom ter-te a meu lado, mesmo que não seja sempre da maneira que gostava.

Estive muitas vezes para te mandar um mail a dizer que sinto a tua falta, que sinto necessidade de estar contigo, que quero ter-te a meu lado, que gostava de ir dar uma volta contigo para falarmos destes últimos tempos, mesmo que não disséssemos uma palavra que fosse.
É isto que sinto, sinto necessidade de ti.

"she took my heart, I think she took my soul"

domingo, 2 de janeiro de 2011

A história que nunca existiu.

Muda-se de ano, mas não se mudam os pensamentos, as memórias, quem sabe até mesmo os sentimentos.
Primeiro dia do ano, acordo, já tarde, com a cabeça pesada, o corpo poluído pelo álcool ingerido na noite anterior, o cansaço a sensação de impotência. O primeiro pensamento do novo ano és tu.
Não pode ser, não quero acreditar, mas não me obrigo a pensar noutra coisa diferente. E assim fico, deitado na cama como um vegetal, sem me mexer muito para não dar hipótese à sensação de vómito sempre presente,  a pensar em ti.
Como gosto de pensar em ti.

Vou-te contar uma história que nunca existiu:
no dia 22 de março de 2010, após uma conversa no teu carro, fizemos um pacto. Pacto esse que dizia que nunca mais nos iríamos ver, uma vez que escolhi não te dar o meu amor, não me dar a ti da maneira que tu querias.
Pois bem, aqui começa a história.
Nesse dia, no caminho que percorri a pé para casa não foi a última vez que chorei.
Nesse mesmo dia, não fingi estar bem, não pensei em ti, na nossa conversa toda a noite, nem a passei quase em branco.
A partir desse dia, nunca mais pensei em ti. Nunca mais tive saudades tuas, e minhas também. Não mais tentei saber de ti, ou ver-te. Nunca dei por mim, durante a madrugada à porta de tua casa, nem que fosse só para ver o teu carro. Não mais me fizeram falta esses olhos verdes que tanto me dizem, as tuas palavras também nunca mais as quis.
Nunca mais revi o teu jeito nas mais pequenas coisas, nos gestos das pessoas. O teu sorriso, não o procurei mais.
Não penso em ti todos os dias, nem acordo com um sorriso parvo sempre que sonho contigo.
Não te mandei um e-mail à pouco tempo, porque a verdade é que já te esqueci.
Não mais tive momentos de sofrimento, agora mesmo não estou a sofrer nem sequer um bocadinho.
Esta foi a história que nunca existiu.

Sabes, preciso mesmo de um abraço teu.