Primeiro dia do ano, acordo, já tarde, com a cabeça pesada, o corpo poluído pelo álcool ingerido na noite anterior, o cansaço a sensação de impotência. O primeiro pensamento do novo ano és tu.
Não pode ser, não quero acreditar, mas não me obrigo a pensar noutra coisa diferente. E assim fico, deitado na cama como um vegetal, sem me mexer muito para não dar hipótese à sensação de vómito sempre presente, a pensar em ti.
Como gosto de pensar em ti.
Vou-te contar uma história que nunca existiu:
no dia 22 de março de 2010, após uma conversa no teu carro, fizemos um pacto. Pacto esse que dizia que nunca mais nos iríamos ver, uma vez que escolhi não te dar o meu amor, não me dar a ti da maneira que tu querias.
Pois bem, aqui começa a história.
Nesse dia, no caminho que percorri a pé para casa não foi a última vez que chorei.
Nesse mesmo dia, não fingi estar bem, não pensei em ti, na nossa conversa toda a noite, nem a passei quase em branco.
A partir desse dia, nunca mais pensei em ti. Nunca mais tive saudades tuas, e minhas também. Não mais tentei saber de ti, ou ver-te. Nunca dei por mim, durante a madrugada à porta de tua casa, nem que fosse só para ver o teu carro. Não mais me fizeram falta esses olhos verdes que tanto me dizem, as tuas palavras também nunca mais as quis.
Nunca mais revi o teu jeito nas mais pequenas coisas, nos gestos das pessoas. O teu sorriso, não o procurei mais.
Não penso em ti todos os dias, nem acordo com um sorriso parvo sempre que sonho contigo.
Não te mandei um e-mail à pouco tempo, porque a verdade é que já te esqueci.
Não mais tive momentos de sofrimento, agora mesmo não estou a sofrer nem sequer um bocadinho.
Esta foi a história que nunca existiu.
Sabes, preciso mesmo de um abraço teu.


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