é a terceira vez que estou contigo depois de quase um ano de ausência mútua.
a cada vez que me vou encontrar contigo não sei bem como reagir quando te vejo, até que tu me vês e fazes sinal. aí sim, parece que volto a mim, visto a minha própria pele e sou eu.
hoje deixámos a nossa pedra, e fomos mais longe, seguimos o sol.
Seguimos o sol e fomos encontra-lo numa clareira, no meio das árvores, como que se de um poço de luz se tratasse. Um poço de luz rodeado de escuridão, medo e más memórias.
o tempo passa e perdem-se "medos" de conversas não tão adequadas, o gelo de um ano de ausência vai-se quebrando e vão-se trocando vidas e memórias.
memórias que algumas delas não estão tão presentes como tu disseste que deviam estar.
vem à conversa o local onde tens uma cicatriz e eu, escondido por trás de um ano de ausência digo-te que não sei e noto a tristeza na tua cara. Tristeza por não me lembrar de certos pormenores de quando éramos apenas um.
mas queres que te diga onde realmente tens a cicatriz?
tens a cicatriz maior exactamente no mesmo sítio onde eu tenho a minha. aquela que, mais do que para o resto da vida, me vai acompanhar e relembrar que tu exististe um dia para o resto da morte.
estranho? não. Pois os bons momentos que passo e que por algum motivo me "esqueço" de ti, a cicatriz insiste em fazer sinal a relembrar-me que tu um dia exististe, que ainda existes.
E isso meu anjo é pior que morte.
Perguntaste-me quando foi a última vez que ri muito? Foi exactamente hoje, quando estava contigo.
Perguntaste-me quando foi a última vez que chorei? Pois bem, também foi hoje quando foste embora e eu não estava contigo novamente.
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